Percurso da Serra

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Em redor da sede do concelho muitos outros motivos há para atraírem a atenção do visitante. Propomo-vos por isso dois itinerários diferentes partindo da vila, mas onde, em qualquer deles, a natureza oferece genuínos panoramas de verdura, rochas e águas que o homem de Aguiar foi sabendo aproveitar e transformar equilibradamente, proporcionando aos vindouros uma riqueza que lhe cabe valorizar ainda mais. Seguindo, em primeiro lugar, para a Serra buscando o ar puro e fresco que aqui não é ainda necessário procurar.

Saímos pelas traseiras em direcção à Lapa mas, logo que as últimas casas e os velhos tanques de lavar ficam para trás, entramos à direita por um caminho dos antigos, de terra e brita, como o eram quase todos há cerca de trinta anos. No vale de Açores depara-se nos a verdejante frescura e aroma de viçosos prados, onde vacas e ovelhas enfeitam e dão vida a um lugar de silêncio.

Todavia se, cá por baixo, tudo continua tão natural como em outros séculos, na encosta o Homem mexeu e remexeu, acrescentou ao lugar as árvores em falta. Milhares e milhares de árvores, sobretudo macieiras, que, nestas terras altas do interior, produzem frutas da melhor qualidade. Se for delas a época, não deixe a prova do “Bravo” para outras altura. É bela a paisagem, seguindo com vagar, vamos ao encontro de Açores. Dali se segue para Gradiz. Quer o façamos diretamente pelo caminho municipal ou pelo acesso à EN229, passando pelo cruzamento da Ponte do Abade, não podemos esquecer um desvio, antes do povoado, que nos conduzirá ao viveiro das trutas.

A descida faz-se devagar, a isso obriga o caminho, mas depressa chegamos e nos deleitamos com as vistas e os sussuros das águas, com os perfumes das flores que bordejam os tanques naturais, onde milhares de trutas deslizam incansavelmente. Se gosta de pescar pela certa, leve a cana e verá que o cesto vem cheio. É altura de seguir o caminho até à aldeia. Passamos o Bairro, a Lage, divisamos os diversos Casais e ao chegarmos à parte mais antiga, no Povo do Meio, a rua indica-nos o trajeto, as ruínas, no extremo, lembram-nos o esquecimento. Regressamos à avenida de Nossa Senhora das Neves, padroeira da freguesia, chegamo-nos à Matriz onde também o Barroco chegou. É, no entanto, a imagem da padroeira, talhada em pedra, que sobressai sobre as demais. Seguindo a rua entram pelos olhos os solares de Vilhenas e Lapas, pois é de gentes antigas e nobres esta terra, orgulhosa de seus brasões.

Em 1189 terá D.Sanchos I doado a Granja de Gradiz ao Convento de Tarouca, que a emprazou em 1197. A capela de Santa Iria justifica uma visita, antes de começarmos a subida dos alcantilados maciços graníticos, que abundam por aqui. É Mouções que encontramos quase no alto. São já poucos os habitantes a desafiarem as agruras da Serra, mas é excelente o local para quem está de passagem. Estamos à beira da Lapa e da nascente do Vouga, porém nós corremos para Aguiar. Vamos andando até às Quintas da Serra. Primeiro a da Fumadinha. Abeirou-se do curso de água, que irrompe das enormes e nuas massas graníticas, verdejaram os prados e floresceu o lugar.

Aqui, como na Quinta do Meio e da Estrada, por onde vamos passando, foi a água que as ajudou a permanecer e, é a água, que vamos encontrar também, numa das mais recentes obras do homem de Aguiar. Antes de regressarmos à vila, apesar de já daqui bem a divisarmos, subimos à direita por caminho de terra. Vamos à Barragem do Carvalhal do Eiró. Daqui desce o mais precioso a água a caminho da vila e de outras povoações vizinhas. à beira de gigantescos rochedos, um espelho de água policromado de cinza, azul e verde, misturando pedra com os céus, os campos e a floresta, convida ao lazer e ao descanso neste final de jornada pela serra.